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quarta-feira, 27 de março de 2013

Adolescente de quinze anos condenada a cem chicotadas em público nas Maldivas

Seu estuprador e padrasto não foi punido, apesar de ter matado o bebê fruto de seus abusos


Roma,


Uma jovem de quinze anos vítima de violência sexual foi condenada a cem chicotadas em público nas Ilhas Maldivas. Foi lançada uma campanha cidadã para pressionar o governo das Ilhas Maldivas "onde mais dói: na sua indústria do turismo".

O padrasto da garota é acusado de estuprá-la durante anos, e de assassinar o bebé fruto dos seus abusos. Mas o tribunal decidiu que é ela que deve ser chicoteada por ter mantido “relações sexuais antes do matrimónio” com um homem que nem sequer foi nomeado.

O presidente Waheed das Ilhas Maldivas, já está sob uma grande pressão internacional, e a campanha visa forçá-lo a salvar a menina e a mudar a lei para impedir que outras vítimas sofram este castigo cruel. "É assim que podemos acabar com a guerra contra as mulheres: levantando a nossa voz sempre que aconteçam atrocidades como essa”, dizem os promotores da campanha.

O turismo é a principal fonte de renda das Ilhas Maldivas. "Vamos juntar um milhão de vozes nesta petição ao Presidente Waheed esta semana, e depois ameacemos a reputação das Ilhas com propagandas chocantes na internet e em revistas especializadas em turismo até que intervenha para salvá-la e abolir essa lei hedionda”, afirma a organização Avaaz.

As Maldivas são um paraíso para os turistas. Mas para as mulheres do país, pode ser um verdadeiro inferno. Sob severas interpretações da lei islâmica (Sharia), as mulheres e as crianças são normalmente punidas com chibatadas ou prisões domiciliares se são consideradas culpadas de sexo extraconjugal ou adultério. Quase sempre são as mulheres que são punidas, não os criminosos. Uma em cada três mulheres com idade entre 15 e 49 anos de idade sofreram abuso físico ou sexual, enquanto que nos últimos três anos nenhum estuprador foi preso.

"Vencer esta batalha pode ajudar as mulheres em todo o mundo, já que o governo das Maldivas é um candidato a um cargo elevado no Conselho de Direitos Humanos da ONU, justamente numa plataforma para os direitos das mulheres. O protesto internacional já obrigou o presidente Waheed a recorrer da sentença contra a jovem de 15 anos. Mas isso não é o suficiente. Os extremistas do seu país o forçarão a abandonar as reformas se a atenção internacional desaparece. Digamos para as Maldivas que estão correndo o risco de perder a sua reputação como destino turístico romântico caso não mudem as suas atitudes e leis sobre as mulheres ", diz esta organização cidadã.




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