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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

"O Líbano precisa de um presidente"

O patriarca Rai pede agilidade para a realização das eleições, que foram adiadas por causa da guerra na Síria, e critica os grupos que querem dividir o país


Roma, 30 de Janeiro de 2014 (Zenit.org)


Um novo presidente, a unidade do país e o respeito pela constituição: estas são as necessidades urgentes do Líbano, de acordo com o patriarca maronita Bechara Rai. O cardeal teme o caos político no país e, em entrevista concedida ontem ao jornal libanês As’Safir, pede que as eleições sejam realizadas o quanto antes, porque o seu adiamento “significa a morte”.

O País dos Cedros vive há quase oito meses um impasse político e um conflito entre xiitas e sunitas, provocado pela guerra na Síria. Nascidos com raízes políticas, os conflitos já produziram vários actos de violência em Trípoli, no norte do país, e na capital Beirute.

Na entrevista, Rai aponta o dedo para as pessoas que "querem dividir o país conforme o seu próprio ponto de vista em vez de contribuírem para a sua união". Em particular, o apelo do patriarca se dirige aos cristãos, que representam cerca de 40% da população e que, por causa do extremismo e da crise política, continuam emigrando para o exterior. "Os cristãos precisam desempenhar o seu papel no país e no mundo árabe. A Primavera Árabe só vai florescer através do Líbano". Para o cardeal, o mundo árabe está se fragmentando e os cristãos “não devem cair na armadilha do sectarismo, que os levaria ao total desaparecimento no Líbano e no Oriente Médio”.

Previstas para maio de 2013, as eleições parlamentares e presidenciais foram adiadas várias vezes nos últimos meses por causa da guerra na Síria e dos vetos dos dois blocos políticos que se contrapõem no país: a coligação 8 de Março, liderada pelo movimento xiita Hezbollah, juntamente com a Corrente Patriótica Livre do general maronita Michel Aoun, e a coligação 14 de Março, formada pelos líderes políticos sunitas e cristãos maronitas.

O actual presidente libanês é Michel Suleiman, eleito em 2008 após um acordo de mediação entre as várias facções políticas e religiosas.

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