sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

A Lua de Novo Brilhará Renovando a Esperança

Hoje acordei um pouco atordoada com o sentimento de que algo se encontrava por concretizar e que dependia da minha vontade. Uma música ecoava no meu pensamento. Será que possuía alguma mensagem que me pudesse ajudar a concretizar este objetivo? Em vão procurei e referida área de ópera na internet. Resolvi sair para tomar um café, conversar um pouco com uma minha amiga. Ainda assim a música continuava a perseguir-me. Daí a necessidade sentida de regressar a casa e pesquisar um pouco mais na internet. Finalmente o título da belíssima área veio ao pensamento. Graças a Deus! ”Di Provenza il Mar e il Sol”. Lágrimas furtivas, deslizavam pelo meu rosto face a este drama, ao seu trágico desfecho, mas sobretudo, a beleza da música que, uma vez mais, me emocionou.

Mas voltemos à área que me tinha “perseguido” durante parte da manhã: “Di Provenza il Mar e il Sol”. Diz o pai ao filho, pedindo desde já desculpa por algum lapso: “Na dor vive aquele que te fez feliz e somente ali encontrarás a paz. Deus guia-me. Ah, tu ignoras quanto sofreu este teu velho pai, afundando-se na tristeza que invadiu o seu teto. Mas, se ao fim te encontro de novo, Deus mo concedeu”. Porque procurava tão curiosamente esta música? Nada acontece por acaso! Ontem, ao deitar-me, refletia sobre as diferentes perspetivas que um assunto pode ser visto sob diferentes prismas familiares. Certamente todos querem o bem. Mas às vezes, o bem de uns, provoca desgosto a outros. O difícil é julgar e conciliar os diferentes interesses e ainda aceitar, em prol de um bem comum, algumas situações que, com o tempo, se podem vir a modificar, sem provocar grandes danos colaterais e sofrimento nas famílias, evitando provocar o corte das relações. Alguém disse: “Família unida, é como uma muralha invencível”! Fez-me ainda recordar uma rosa bem fechada com todas as suas pétalas aglutinadas e com um cheiro intenso. Triste será começar a abri-la, e tirar pétala a pétala desse tronco que constituiu o pilar, destruindo assim o maior bem da humanidade, ou seja, a família, perdendo assim toda a sua suave fragância. Tudo tem o seu tempo, é preciso ter alguma calma, paciência, e oração.

Por comparação, apesar de bem diferente o contexto, veio-me à memória o magnífico quadro de Rembrandt, denominado o “Regresso do Filho Pródigo”, inspirado numa parábola do Evangelho que nos enche o coração perante o generoso acolhimento que o pai faz ao filho, abraçando-o e cobrindo-o de beijos, depois de ter esbanjado toda a sua fortuna na má vida, Belas são as palavras que o pai profere ao acolhê-lo de volta, referindo que o filho estava morto e voltou a viver, estava perdido e foi encontrado. O abraço daquele pai é impressionante, extremamente envolvente, de uma afetividade sem reservas, sem qualquer recriminação, tão feliz com o regresso do filho que considerava perdido para sempre. E quis festejar. Mandou matar o vitelo mais gordo e fazer um banquete. Pediu igualmente a melhor túnica, umas sandálias... Que generosidade enorme. Que belo exemplo! Que bom seria que todos nós soubéssemos perdoar e esquecer sem reservas. A vida seria tão mais facilitada. Como ficou feliz aquele filho, com o carinho e o bom acolhimento por parte do pai, sem qualquer ressentimento. O amor, o perdão, uma família unida, tudo conseguem ultrapassar, com a ajuda de Deus e de Sua mãe, a Virgem Maria.

Mas a história diz-nos que é mesmo assim. Numa família alguém tem de ser o elo forte e sacrificar-se em prol dos outros membros no sentido de alcançar o seu equilíbrio. Não podemos correr atrás da vã felicidade, tanto os pais como os filhos, enquanto a família se vai desagregando. Deus concedeu-nos toda a liberdade de fazermos ou não a Sua vontade. Quanto sofrerá Deus enquanto nosso pai misericordioso, que nos ama infinitamente, que deseja o nosso bem. Apetece-nos então dizer: “Pai, desde já peço-Te perdão pelas vezes em que não fiz a Tua vontade com toda a liberdade concedida, mas fui atrás de sonhos, de ilusões, de tantas outras coisas que pareciam boas e que não passavam de meras tentações, sem quase nos apercebermos que Te abandonavam. Mas enquanto Pai misericordioso sabemos que estarás sempre pronto a nos acolher, para recebermos aquele Teu abraço que nos concede toda a paz e tranquilidade de que tanto carecemos.

Termino, carregada de sonhos, desde esta belíssima cidade de Lisboa, “menina e moça, menina, que a luz dos meus olhos veem tão pura” almejando que todas as cidades sejam amigas da Família, onde a lua brilhe resplandecente, renovando uma doce esperança de que todos se apercebam do tesouro que constitui possuir uma família, e que a defendam sempre! Santa Maria, Rainha da Família, nesta tua terra, rogai pelas famílias de todo o mundo!

Maria Helena Paes







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