quinta-feira, 5 de abril de 2018

Dizer a humanidade com voz de mulher – Lucetta Scaraffia em Lisboa


quinta-feira, 5 de abril de 2018


Lucetta Scaraffia (foto reproduzida daqui
onde também se pode ler uma entrevista com a historiadora e ensaísta)

Dizer a humanidade com voz de mulher é o título da conferência que Lucetta Scaraffia, professora de História Contemporânea da Universidade de Roma La Sapienza, fará na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, na próxima terça-feira, dia 10, às 18h (Auditório Padre José Bacelar e Oliveira, no edifício antigo da UCP).

A conferência, em italiano, e com tradução simultânea e entrada livre, é promovida pelo CITER (Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião), em parceria com o Instituto Italiano de Cultura, no âmbito do ciclo Lições Italianas sobre Estudos de Religião.

Responsável editorial da revista Donne, Chiesa, Mondo (Mulheres, Igreja, Mundoa colecção da revista, em italiano, pode ser consultada e lida aqui), publicada na primeira quinta-feira de cada mês como suplemento do jornal L’Osservatore Romano, do Vaticano, Scaraffia é também ensaísta e jornalista e tem-se dedicado à investigação sobre história das mulheres e história religiosa. Publicou vários trabalhos sobre religiosidade feminina, cristianismo e sexualidade e acerca do lugar das mulheres na Igreja Católica. O futuro é também feminino?, livro dedicado a este último tema, com o contributo de várias mulheres e dirigido por Lucetta Scaraffia, está também disponível em Portugal, numa edição da Paulinas.

Um outro livro da sua autoria, resultado da sua participação, como observadora, no recente Sínodo dos Bispos sobre a família, deu origem ao livro Dall'ultimo banco. La chiesa, le donne, il sínodo (Do último banco. A Igreja, as mulheres, o sínodo, também já editado em espanholnesta outraligaçãopode ler-se um texto, em italiano, acerca do livro).

Nesse livro, resume-se numa informação divulgada pelo CITER, a autora defende a ideia de que a Igreja Católica está muito atrasada em relação à história e ao Evangelho, “enquanto a diversidade de carismas que derivam da diferença de género permanecerem conjugados como exclusão e subordinação e não como igualdade efectiva”. Na sua obra e nos seus textos, Scaraffia defende a necessidade de pensar e propor novos “espaços e modalidades de participação feminina na vida eclesial”.

Na conferência de terça-feira, a directora de Donne Chiesa Mondo “irá destacar como entre os humanismos a construir num diálogo entre vozes diferentes e não necessariamente reconciliáveis, não pode faltar a voz da mulher”. Esta deve ser “uma forma de expressão de subjectividades que, na história milenar da humanidade, foram confinadas à mera funcionalidade biológica e a uma condição de subordinação e mutismo social, na radical remoção e mortificação da sua autonomia simbólica, ética e antropológica.” E defenderá ainda que nenhum humanismo “pode renascer no nosso tempo se não for nele audível uma inconfundível voz de mulher”.  




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