terça-feira, 10 de abril de 2018

Ele morreu com E.L.A. (Esclerose Lateral Amiotrófica)

Tinha 61 anos quando partiu! Vi-o, acompanhei-o, na progressão da doença – dificuldade no andar e mover os braços ao início, limitado a uma cadeira de rodas, imobilizado na cama por fim, até à morte! A minha mãe (incansável na assistência que lhe proporcionou), os meus irmãos e eu demos o apoio que podíamos.

As primeiras manifestações revelaram-se na dificuldade em escrever com a mão direita, como costumava. Foi-se habituando, com esforço, a usar a esquerda. Depois veio a imobilização das pernas. Sentado na sua cadeira de rodas, ao olhar pela janela e ver as pessoas da sua idade andar pela rua manifestava alguma revolta. “Porquê a mim, Senhor?”, perguntava muitas vezes.

Apesar dos tratamentos, a doença foi progredindo. Imobilizado na cama, já mal conseguia levar a mão até à cara. Sentada ao lado da cama dele, aí ficava longos momentos a falar, a estudar… Era para ele uma alegria acompanhar os meus estudos, e a mim ajudava-me a dar maior rendimento ao meu trabalho de então – estudar e colaborar com a minha mãe nalguns cuidados da sua pessoa.

Pouco a pouco foi convivendo com a doença. Todos os dias recitava o terço com a Rádio Renascença. Interiormente foi maturando nele uma aceitação do seu estado que edificava quem ia visitá-lo… Vinham para o consolar e saiam consolados! Pouco a pouco foi-se debilitando cada vez mais. Nossa Senhora (a quem pedira todos os dias: …rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte) acolheu-o num dia 13 de maio. Acompanhado pelos familiares mais próximos, assim terminou a sua passagem na terra e deu entrada na morada eterna.

Assisti-lo nesta doença, até ao seu fim natural, deixou marcas decisivas em toda a família, para toda a vida!

Maria José Rebelo
Prof. Universitária







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