terça-feira, 10 de abril de 2018

Oportet Illum Regnare! (Convém que Ele Reine)

É Jesus que dá sentido à nossa vida, aos acontecimentos humanos. Ele constitui a alegria e a plenitude de todos os corações, o verdadeiro modelo, o Irmão de todos, o Amigo insubstituível, o único digno de toda a confiança. Tudo o que fazemos começa e acaba n´Ele, que nos questiona: “Amas-me, és meu amigo, posso confiar em ti?” A amizade com Jesus impele-nos a ter uma atitude aberta, compreensiva, mais humana, com mais capacidade para entender o próximo, com uma maior generosidade, magnanimidade, espírito de entreajuda, solidariedade para com todos, em particular para quem mais precisa, atentos às necessidades existentes e onde de algum modo, é possível darmos o nosso contributo em prol de uma sociedade mais justa e humana. Imbuída desse espirito solidário participei numa reunião alargada de pessoas voluntárias e técnicos de diferentes áreas, que se debruçam, pro bono, sobre os problemas e necessidades dos mais idosos numa perspetiva intergeracional visando promover a justiça social e o bem-estar de todos os envolvidos. Durante horas debatemos as diferentes experiências vivenciadas, partilhando conhecimentos e saberes nas diferentes áreas de intervenção o que se revelou ser uma partilha extremamente profícua e muito útil. Da minha parte levantei diferentes questões que me ajudaram imenso a ter fortaleza para tomar uma decisão que já estava a pecar por tardia, ou seja, tinha assinado por solidariedade um contrato com uma empresa privada no sentido de acompanhar e apoiar uma amiga já com muita idade, que não tinha família direta. Na altura, dei ênfase de que não assumia os encargos financeiros que eram extremamente onerosos. Confirmaram esse facto, pelo que confiei e descansei, mas ficando sempre latente a questão que constituía uma preocupação, já que receava que por qualquer motivo não pudesse assinar o cheque para proceder ao pagamento. Seria eu responsável ou poderia confiar? Levantei a questão junto de uma advogada, mostrando o contrato em causa. Veio-se a confirmar o que eu suspeitava. O contrato é que tinha validade e eu, apesar de não ser herdeira, teria de fazer face a todos os pagamentos extra, inerentes aos custos de alojamento, despesas de material de desgaste, medicamentos, internamento em unidades privadas, entre muitos outros. Inclusivamente, deram-me o exemplo de pessoas que nas mesmas circunstâncias tinham assinado contratos solidariamente e hoje em dia eram confrontadas com todas as despesas decorrentes do contrato assinado. Chorei interiormente. Sabia que por um lado não dispunha de condições financeiras para assumir encargos tão elevados, por outro lado, custava-me imenso tomar uma atitude, já que sabia que a minha amiga não iria entender e que a entidade onde se encontra me levantaria problemas. Como seria o futuro? Bem, o melhor mesmo era aproveitar a época da Quaresma em que dispomos de mais graças para enfrentar situações difíceis. Sem a graça de Deus não somos nada. Quando aparece uma dificuldade na nossa vida a graça de Deus é superior, colocando os meios existentes ao nosso alcance. Temos de ver os acontecimentos numa perspetiva histórica. Mais importante do que o que se fez, é evitar que volte a acontecer. Jesus não desiste de nós.

Bem imbuída de um espírito de fortaleza, apoiada pelo conhecimento e experiência de várias pessoas, agi em conformidade, pedindo a uma advogada amiga que fizesse a carta de denúncia do contrato, dando o período que constava no contrato para minha substituição. Era preciso coragem. No caminho, pedi a ajuda de um santo para ultrapassar esta situação de um modo que fosse conveniente para todos. Quando cheguei, fui falar com a minha amiga, expondo-lhe a situação com clareza, manifestando a minha disponibilidade para continuar a dedicar-lhe todo o apoio e solidariedade nos mesmos moldes anteriores, unicamente, sem a parte financeira que como ela tinha conhecimento era muito dispendiosa. Bem, o melhor mesmo seria promover a reconciliação entre todos, esquecendo o acontecido, em prol da paz e da harmonia. E assim aconteceu! Termino recordando o título do artigo: Oportet Illum Regnare

Maria Helena Paes






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